ONU confirma adesão <br> palestiniana a tratados
Um mês depois da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) ter solicitado a adesão a 15 convénios internacionais, as Nações Unidas confirmaram a integração da Palestina nos tratados contra a tortura, contra todas as formas de discriminação (racial, contra as mulheres), de defesa dos direitos das pessoas portadoras de deficiência e dos direitos das crianças.
A adesão da Palestina aos cinco documentos – a que se deverá seguir a aceitação da adesão sem reservas noutros três, garantiu o porta-voz da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos - representa um passo adiante na sua legitimação como nação e um estímulo à luta pela constituição de um Estado soberano no território.
Antes do anúncio por parte da ONU, no passado dia 2 de Maio, o presidente da ANP, Mahmud Abbas, insistiu que o processo de paz com Israel não poderá avançar enquanto não ficarem definidas as fronteiras de um futuro Estado palestiniano, reiterando disponibilidade para reconhecer os limites de Israel. Outras questões fundamentais são a libertação de prisioneiros e o congelamento da construção de colonatos, disse.
O governo israelita abandonou definitivamente o processo de diálogo aberto no Verão passado depois de os representantes dos palestinianos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza terem alcançado um acordo de reconciliação nacional, e terem recusado reconhecer Israel como um Estado judeu.
No terreno, Telavive tudo tem feito para impedir a concretização da paz. Só na última semana de Abril, cerca de 130 palestinianos foram feridos em acções repressivas sionistas na Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Leste, segundo dados da ONU. No dia 1 de Maio, na Faixa de Gaza, máquinas operadas por soldados israelitas destruíram campos de cultivo. No total, Israel ocupa 35 por cento das áreas férteis do território, alvo de um bloqueio férreo desde 2007, quando o Hamas venceu as eleições.
Acresce que, durante os nove meses que duraram as negociações, Israel aprovou a construção de quase 14 mil novas habitações para colonos, denunciou, por seu lado, a ONG Peace Now.